domingo, 11 de setembro de 2011

H.Pylori, a vingança continua...

"O grande segredo da nossa doença oscila entre a precipitação e a negligência." ( Johan Wolfgang Von Goethe) .
Essa vagem de rastafári na imagem acima é a bactéria Helicobacter pylori parece inofensiva, mas acredite, o tamanho dessa praga é inversamente proporcional ao mal de lascar que ela causou e causa a esse humilde narrador que escreve esse post quase póstumo. O H.Pylori apresenta a incrível capacidade de sobreviver em um dos ambientes mais inóspitos do nosso organismo. O estômago possui um pH inferior a 4, ou seja, é extremamente ácido. Essa acidez além de nos ajudar a digerir os alimentos, serve como proteção contra as bactérias e vírus ingeridos junto aos alimentos. Poucos são os seres que conseguem sobreviver em um ambiente tão ácido.É de conhecimento científico que todos possuem essa maldita no estômago, mas ela se manifesta apenas em pessoas com sangue no olho, que é o meu caso, com isso consegui uma companheira digna dos melhores casamentos, a gastrite, na saúde, nas horas tristes, nas horas alegres e por ai vai.
Eu já tinha passado por crises insuportáveis algumas vezes, mas essa última me deixou bem perto dos braços gelados da morte, nunca suei tão frio em toda minha vida, para você que não sofre dessa lástima tentarei explicar, sabe o filme Alien o oitavo passageiro? Pois bem, como é mostrado na película de ficção científica a dor do cabra que serve de habitat para o bebê alien se compara em muito com a dor do portador da H.Pylori a diferença, graças aos deuses é que nenhum alienígena desponta da barriga e sai deslizando pelo chão embebibo em sangue!!
Nesta última crise, tive que ir parar no hospital, pra degustar um sôro intravenoso, e na espera quase eterna das gotículas descendo pela mangueira e caminhando em direção aos meus vasos sanguíneos reparei que ao meu lado estava uma maca, com um pacote daqueles que a gente vê na TV e sabe muito bem o que esta dentro, por mim tudo bem, afinal de que eu poderia reclamar? já estava na boa com um cacete de agulha no braço e as dores começavam a passar lentamente, melhor que meu vizinho silencioso, com certeza dor é algo que ele nunca mais sentiria, ao menos nesse plano de observação.
Parece mórbido mas comecei a especular do que o meu vizinho inerte tinha morrido, seria tiroteio, infarte, ou gastrite? Nunca se tem tempo de pensar na morte, vítimas de acidente, e de infarte fulminante por exemplo, a gente só pensa nela quando nos encontramos em uma situação de proximidade quase palpável, o que era o meu caso naquele dia, fiquei pensando: Pô logo eu, que já travei combates lendários pelas ruas de BH, sentado aqui tomando sôro por causa de um ser invisível a olho nú, isso sim era irônico. Talvez minha conduta tenha levado as coisas a esse ponto, agora é mandar bala nos medicamentos e esperar pra ver no que dá, pois ainda dizem por ai que a H. é resistente e não se extermina ela com facilidade, será um combate e tanto...